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terça-feira, 29 de outubro de 2013

CONGELAMENTO DE CORDÃO UMBILICAL PRECISA SER ESTUDADO

 

Conhecido como um “seguro biológico”, guardar células-tronco do bebê nem sempre é uma boa opção

© Dreamstime
A coleta de sangue do cordão umbilical tem se tornado uma prática comum entre grávidas. O objetivo é armazenar as células-tronco para usar no combate de doenças no futuro, caso sejam necessárias.

Com isso, bancos privados de cordões são procurados pelos pais que desejam fazer um “seguro biológico” do bebê. Mas, antes de fazer uma escolha, é preciso entender os benefícios dessa ação.

Entenda o processo



São chamadas de células-tronco aquelas que possuem duas características: a capacidade de se autorrenovar, dar origem a duas células idênticas a ela, e a capacidade de formar diversos tipos de tecidos (conjuntos celulares). Existem diferentes tipos de células-tronco. As embrionárias, por exemplo, são responsáveis por formar todos os tecidos do bebê durante a gestação.

“As células do cordão umbilical, ou da medula óssea, são chamadas de células-tronco adultas. Elas também têm a capacidade de originar vários tipos, mas são mais limitadas em comparação com as embrionárias”, explica Patrícia Pranke, coordenadora do Instituto de Pesquisa com Células-Tronco da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS).

A retirada das células do cordão umbilical acontece logo após o parto. Antes de ser descartado, o sangue é recolhido diretamente de uma veia do cordão, congelado e armazenado em um banco. A mãe e o bebê não participam do processo.

O armazenamento de sangue do cordão umbilical acontece desde a década de 1990, com o objetivo de fazer um estoque para uso de diferentes pessoas, desde que sejam compatíveis. Mas também existem os bancos particulares. Neles, as células são guardadas para uso próprio, ou por familiares.

Benefícios



A questão importante é saber se realmente faz sentido optar por um armazenamento privado. Segundo Patrícia, a chance de alguém usar o próprio sangue do cordão umbilical é muito baixa. Isso acontece porque essas células-tronco funcionam principalmente para curar dois tipos de problemas: leucemias e certas doenças genéticas. “Não se deve usar o próprio sangue de cordão umbilical nesses casos. Ele já teria as doenças”, explica a especialista. “É sempre recomendado usar o sangue de outra pessoa compatível.”

Essas não são as únicas doenças em que as células-tronco são usadas como parte do tratamento. Atualmente, existem trabalhos que estudam o uso para combater doenças cardíacas, diabetes, doenças neurológicas e regenerações de pele e osso. Mas, também nesses casos, guardar o sangue do cordão umbilical também não é tão interessante, segundo a especialista. “Para essas doenças, precisamos das chamadas células-tronco mesenquimais. O sangue de cordão umbilical é extremamente pobre nessas células”, avisa Patrícia.

Outros tecidos são ricos em células-tronco mesenquimais, como a medula óssea. Ou seja, caso sejam necessárias, elas podem ser obtidas em qualquer época da vida.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), das 45.661 unidades de sangue de cordão umbilical coletadas pelos bancos privados do Brasil, no período de 2003 a 2010, apenas três foram usadas no tratamento do próprio doador. Dados do Ministério da Saúde apontam que desde 2001, quando começou a prática, foram usados 163 cordões dos 15.345 armazenados pelos 12 bancos públicos que funcionam atualmente.

A vantagem do banco privado é o tempo de espera. Uma vez guardado, o material fica disponível para uso. Já nos bancos públicos, não há garantias de haver sangue compatível disponível. (MEU BEBÊ )

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